Sobre os labirintos
Sobre a madrugada e sobre não acordar...
domingo, dezembro 29, 2013
V
quinta-feira, agosto 26, 2010
Sobre um dia qualquer
A tarde não era quente nem fria e devia ser quarta-feira. Talvez houvesse um garoto na esquina arriscando malabares por trocados. Talvez as calçadas estivessem cheias de gente, talvez de lixo.
Era outono e o vento amarelo alaranjado trazia um gemido velado pela janela do quarto. Havia duas pessoas e havia uma toalha molhada na cama. Os lençóis estavam perfeitamente lisos.Só o homem falava. Uma confissão, uma prece e uma banalidade. A mulher via através da janela as velas brancas arqueadas no mar longe. Hoje o branco parecia uma cor tão antiga... Talvez devesse responder. Responderia se soubesse do que se tratava. Houve o silêncio e o som da porta fechando.
E ela deixou de amar.A tarde não era quente nem fria e devia ser quarta-feira. Malabares e trocados e calçadas e gente seguiam como antes. O outono e o vento tinham as mesmas cores. Ainda havia a toalha molhada na cama, e o lençol estava perfeitamente liso.
domingo, agosto 01, 2010
Quatro pequenas confissões.
Eu sempre minto, antes de dormir: "- De que me importa?"
Gosto das notas fora de compasso. Eu sei como elas se sentem.
A minha palavra favorita é o soluço.
terça-feira, janeiro 12, 2010
sábado, outubro 24, 2009
Lâmina
olha com bastante atenção
vê que, entre uma linha e outra,
por trás do branco de susto da folha,
certamente há um poema de amor.
quarta-feira, julho 15, 2009
Fermata
- Você 'tá perdendo a festa.
- Você também...
- Está fazendo o que aqui sozinho no escuro?
- Sei lá. Devo estar escondido.
A porta fecha-se aliviada, apagando o pouco de luz que lançava sobre os olhos vermelhos no canto do cômodo.
- Bem... Te achei.
Os dedos. O cigarro. Os lábios. A mente. Olha para cima jogando a nuca contra a parede e a fumaça contra o teto. Lentamente. Não responde nada.
A voz cruza a sala, acende um abajur e senta-se no chão junto à parede oposta. Os olhos vermelhos miram os sem cor recém chegados.
- Toma. Um pouco de ar fresco. - Ergue o cigarro com os dedos oferecendo-o.
- Não. Hoje não.
Os dois sorriem sem tanta graça assim.
- Está se escondendo de que?
- Por que é que a gente faz isso?
- A festa?
- O barulho. Tem tanto barulho lá fora que...
- Deve ser pra se esconder também. Se a gente se esconde sem fechar uma porta, ninguém nota.
A mão do rapaz tira devagar o cigarro da boca enquanto a da moça prende atrás da orelha o cabelo que caia na testa. Dois pares de olhos se voltam para o chão.
- Talvez funcione.
- Quem era no Telefone? Quando você entrou...
- Uma ligação errada. Alguém querendo pizza de presunto. Ou coisa assim.
- Ah...
- Eu disse que entregava em meia hora.
Dois novos sorrisos. Sarcásticos. Cúmplices.
Os olhos vermelhos tiram do bolso da calça uma folha amassada de papel e jogam contra os outros, que lêem devagar.
- Fazia tanto tempo.
- Fazia, sim.
- Então, qual o plano?
- Não sei ainda. O que você faria no meu lugar? Na minha pele? Se essa pele... se esse estômago... o que?
- Não sei... mas às vezes é tão fácil te ler, sabia?
- Não quero ficar aqui de porta fechada p'ra sempre. Nem fazendo barulho.
- Eu gostava do jeito que era antes.
- Eu também. - e a segunda frase vem numa nuvem de fumaça. Dos olhos, não do cigarro. - Eu também.
Dedos suaves começam a dobrar o bilhete entre lâminas de unhas. Alguém tropeça no corredor. A música continua do lado de fora.
- Você sempre soube fazer essas coisas...
- Vem comigo?
- Dessa vez não.
A brasa na ponta do cigarro faz arabescos no ar enquanto os olhos vermelhos procuram palavras certas. Ou fôlego. Mas não dizem nada. O outro par de olhos começa inutilmente a ganhar alguma cor. A sala ainda está escura demais.
- Que horas são?
- Três. Talvez quatro.
- Volta aqui antes do sol nascer, tá?
O vestido longo ergue-se e flutua até a porta. Antes dos rangidos, joga de volta a pequena folha amarela - Agora, um pequeno barco de papel.
segunda-feira, março 16, 2009
*
won't you come out to play?
...won't you let me see you smile?
nothing is gonna change my world...
daí
você sai pela noite com sua alma branca
e a camisa sangrando um vinho barato.
você gargalha, canta, dança,
pula suas sete ondas,
toma seu porre, quebra uma taça
e grita loucuras pro alto
com tantas gargantas, meu deus...
[há quantos anos você está aqui?]
a música... a música!
e os jogos antigos,
e a lua nova
tudo espera você surgir com um sorriso.
mas, até amanhecer, você anda pela areia molhada
tirando os dados velhos do bolso
e atirando entre montes de búzios.
porque você não devia andar sozinho no escuro.
porque, até amanhecer, teu acaso acaba
porque vai amanhecer,
e você não viu os fogos na beira da praia.
O soluço das espumas no topo do copo
devia te fazer cócegas no nariz,
mas não faz.
porque você cresceu tanto...
nothing is gonna change my world...
[sobre os fantasmas de natal nenhum
que também me esqueceram esse ano...]
segunda-feira, janeiro 26, 2009
de não-saber
como eh que se notam as linhas
(da amizade, da vida, do coração...)
entre um gesto e outro?
Quando cada sorriso foge p'ra um lado diferente,
e cada olhar tropeça desajeitado num canto de mesa,
e cada palavra tem mais idéias do que devia...
em quantas linguas a gente precisa dizer que sim?
[ porque, às vezes,
as mãos correm demais pra chegar perto
quando só precisavam ficar paradas.]
quarta-feira, novembro 05, 2008
sobre as cores
chove.
a menina que espera o ônibus tem olhos de aquarela
e azul sempre escorre assim tão depressa que
a menina, e a rua,
e os bancos da praça
tudo é desenhado a mão num pedaço de guardanapo,
amassado e atirado ao chão da calçada.
e esse som antigo
e essa cor enorme
e o cheiro de guardado dos jardins
tudo inunda o tempo com o peso do mundo.
porque as nuvens de chuva sempre vêm em tons de cinza
as sombras viram tormentas
e os balanços no parque parecem só correntes.
O onibus chega
guardado, antigo, enorme.
e ninguém mais ouve o som que a menina faz quando respinga.
e hoje parece que tudo foi sempre um março só.
domingo, outubro 12, 2008
dos segredos...
Esse vento congelando suas unhas
Esse uivo sutil entre seus dedos
Esse frio...
Esse frio sou eu.
quarta-feira, julho 09, 2008
do tempo perdido
os segundos que caem de relógios furados
que escorrem pulsos, palmas e dedos
e se desfazem - com que cor? - no chão
os anos que caem devagar no meio do caminho
p´ra onde vão?
[na verdade não me importo.
quem um dia encontrar um instante meu
saberá que eu sou.]
segunda-feira, junho 23, 2008
a rosa

É como a rosa-dos-ventos.
de todos os ventos.
ao mesmo tempo.
O frio, o desequilíbrio,
o ruído ensurdecedor,
o arrepio condensado
pêlo-a-pêlo,
A mão, o braço, o ombro, o pescoço.
O gelo que alcança a nuca
e a gota fria da vertigem que percorre a espinha.
Sim, é como o verso dos ventos;
como gritar em todas as direções.
Mas isso não se explica assim, numa folha de papel.
Todas as canetas são pretas demais
e tudo vira só um desenho
perdido no canto do mapa.
terça-feira, dezembro 18, 2007
do sono...
num segundo de distração
enquanto eu contava carneirinhos
eles comeram meu travesseiro.
[sim, eh bobo.
mas é como as noites funcionam...]
terça-feira, dezembro 11, 2007
nanquim...
Mas, no fim de cada verso,
rimar sempre pareceu tão ridículo...
"essa noite, a noite vai ser um soneto."
mas não rimava.
nunca rimou... ridícula.
se quisesse dançar de pijamas e meias na sala de estar
se quisesse desafinar enquanto cantava baixinho no ônibus
se quisesse ter uma plantação de batatas fritas no quintal
mas queria rimar
o que poderia ser mais ridículo?
cresceu e virou engenheira.
quarta-feira, outubro 17, 2007
Insônia
Eu tenho uma noite longa,
três mosquitos zunindo por dentro,
e um travesseiro de pedras me esperando.
Não, essa noite eu fico aqui.
Essa noite a culpa é minha.
Todas as culpas, na verdade,
de todas as coisas.
Eu as quero - as culpas.
As coisas deixaram um vazio grande demais aqui;
as culpas sempre são maiores que as coisas.
Sim, culpas devem bastar pra me preencher.
Homens são feitos de soluço
do incomodo vazio, do mal estar,
da consequência do choro.
Homens são talhados em mofo, talvez
talvez em sombra,
talvez nem sejam.
E a noite
e o que me resta
o que é?
-Sou eu... - a culpa, sedutora, sussurra em meus ouvidos.
[Quem quer que tenha levado as coisas todas,
que tenha roubado o desvazio que eu era antes,
volte e leve também os sentidos do que havia.]
terça-feira, outubro 16, 2007
Diário
Aquela beleza sutil das coisas erradas,
aquela clareza absurda das coisas perdidas.
Hoje o dia nasceu incompleto
e só vai até as 11.
[o passar das horas me incomoda;
o dos segundos é insuportável
muito mais que um cigarro pode curar.]
terça-feira, agosto 21, 2007
~..~..~..~

o jardim.
porque é verão.
o verniz de saliva sobre o dedo impecavelmente erguido
- e é essa toda a técnica que a infância permite a um dedo de 8 anos
avisa que é hora boa.
a disparada.
os estalos do papel rasgando o vento
e os estalos dos pés rasgando a grama
estalam.
(não se pode pensar coisas pesadas
quando os momentos são de leveza)
sobre as mãos sobre a cabeça, os dedos miúdos
soltam devagar o lápis atravessado no carretel
(de linha verde, que era a única que a avó não notaria caso sumisse)
os olhos do menino
que olha para trás quando corre
vão subindo devagar
feito letrinhas -castanhas- de fim de filme,
postas na melhor cena.
[saltando de tarde em tarde,
o menino que brinca de vento
vai brincando de vento.
Enquanto houver menino, grama e verão,
ele ventará.]
segunda-feira, junho 11, 2007
solilóquio
tudo ia ficar tão bem...
quando chegasse a chuva
e você precisasse de um disco triste
ou quando chegasse o fim da tarde
e você precisasse de menos vermelho
na parede do quarto novo...
tudo...
Você com aquela mania
de enrolar as orelhas do seu cachorro de pelúcia
ia me ligar,
mentir um punhado de sorrisos
e, depois de 5 minutos, ia acreditar em todos!
A gente tinha combinado, lembra?
tudo... tão bem...
o circo que não veio pra cidade
tinha malabaristas incríveis.
o que não veio pra cidade...
A gente ia aprender malabares
e passar as tardes brincando com fogo!
Quando errasse o passo, tudo bem:
a gente ia cantar 3 versos assim
fazendo graça no contratempo
e sair se rindo da confusão
A gente tinha combinado, lembra?
nem isso nem aquilo.
você essa menina assim:
que amava só porque achava bonito amar
e cantava só porque achava bonito
o som que fazia quando alguém dançava sem saber.
E ia dar tudo tão certo!
e devia dar tudo tão certo...
Mas você...
E agora...
Agora esses olhos assim,
cinza
e azuis eles eram tão mais bonitos...
o que que a gente esqueceu?
o que que a gente deixou p'ra trás?
A gente tinha combinado, sabe?
e agora, amanhecer assim
feito costurar os pulsos
e eu nem tenho mangas longas que escondam cicatrizes.
eu nem tenho...
segunda-feira, maio 07, 2007
Pó
de olhos secos de pó
pó pesado
poeira fina
pó vermelho-miserável
de vida-sangue;
de duas mãos ásperas
e calos que transpiravam areia.
calava.
a enxada, o inchaço
de duas mãos secas.
era sertão
e ser tão... qual era a palavra?
é ser isso.
Feito santo milagreiro,
Porque milagre é ser inteiro
Feito disso.
Milagre feito vela a quem se reze
Feito verdade que derrete
Feito verdade-cera
de pingos que se moldam na palma da mão.
Homem feito vinho.
Feito tinto.
Feito falta. Fato.
Água.
Feito meio, meio-mito
gente antiga
feito pele, feito sangue
feito gente que ficou.
segunda-feira, março 26, 2007
teddy...
e quando ele respira dá pra sentir o lençol tremendo!
- Que me importa? O que eu tenho a ver com isso?'
- Tem que ele só está esperando que eu durma pra me engolir inteiro. Sem nem mastigar! Você vai ter pesadelos horríveis pelo resto da sua vida... a culpa vai lhe consumir, ouviu!
- Bela tentativa, querido, mas você ainda vai ter que dormir no sofá até passar a ressaca.
[tem gente que eh esquisita mesmo...]
sexta-feira, março 09, 2007
gravidade
A TV muda brilhava um astronauta russo (ou polonês?) no quarto escuro. Eu devia ter sido astronauta. Ou marinheiro. Com quinze mulheres! E desligou a TV fugindo da companhia absurda.
Era advogado. Culpa da gravata vermelha que ganhou de uma tia aos oito.
Gastou quase dez minutos sentado à beira da cama. Era como contornar impacientemente a mesa da sala de jantar sem ter que contornar a mesa da sala de jantar.
Alô? Não, não é daqui. Não, meu senhor, não é! Bateu o telefone que acabara de tocar. Bateu e pulou para alcançá-lo novamente. Há horas impedia-se de tocar o aparelho e, quando houve a oportunidade, traiu-se. Tocou. Até quase quebrar cada tecla.
Quem você pensa que é?! Quem... o que é você? Que vil, estupida, pequena! Me diz, o que você fez com tudo?
Não ligou para ela. Ligou para o Felipe.
“Que que eu faço, cara? Que que eu faço agora?”
“...esquece, pô... Não pode fazer nada. E mulher é assim mesmo. Já isso passa.”
E encheu outra vez o copo de conhaque.
quinta-feira, março 01, 2007
......... ............
aquele instante quase imperceptível que fica
quando o encaixe imperfeito dos dias
deixa um tanto de tempo escapar
aquele milionésimo de segundo
- a conclusão de toda metafisica que se pode conceber.
aquele quase-nada entre a lembrança e a saudade
entre a saudade e o vazio
e a noite às vezes demora tanto...
[Os dias parecem grandes demais
quando se contam os minutos
E quando se contam os minutos
é mais fácil perder a conta]
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
segunda-feira, janeiro 08, 2007
meia noite
o pijama e a camisola de cetim
se abracaram ao lado da cama.
ficaram assim, um enterrado no outro,
até ele erguer a mão num convite.
dançavam e, como não houvesse música,
ela sussurrava nas pontas dos pés
um 'lalarara' leve de seda azul.
depois de três músicas e dois compassos,
os dois se livraram de seus donos
e se embolaram devagar no chão.
[coisa antiga. que ja devia estar
aqui ha meses, mas ha meses que eu mesmo
nao estava aqui, entao...]
[resolucao de ano novo: voltar!]
sexta-feira, outubro 06, 2006
O mistério das coisas por tras das coisas
Deus criou uma folha em branco
escreveu um daqueles poemas
e fez um origami.
terça-feira, julho 25, 2006
fuga
Era leve a imitação de silêncio do lado de fora. Caminhava através do corredor escuro observando atentamente o teto do único modo que conseguia não observar nada. A máscara parecia apertada. Quente. Sem desviar os olhos para baixo, puxou-a do rosto com algum desprezo e atirou-a para trás. Seguiu assim, com o rosto baixo, o caminho até chegar a um jardim. Andou alguns metros pela escuridão até a base de um arbusto onde, fraco, deitou-se - ou caiu, não sabia bem definir.
'Alô?' Parecia muito longe o som em sua mente. Procurava identificar entre os zunidos todos em sua cabeça o que o chamava. 'Alô!?' De repente, despertou com um susto, abrindo rapidamente os olhos ainda doloridos sem saber bem o porquê.
Por entre as palhas de um coqueiro, Órion o observava curioso. Alerta, correu a vista para o lado encontrando dois olhos muito azuis - esses perigosamente mais próximos que os primeiros - tomados por uma vermelhidão desconcertante. 'Está bem?!' tornaram a falar os olhos, agora mais calmos. Eram olhos estranhos. Explícitos. Violentamente explícitos e inesperadamente doces, apesar da (ou por causa da, é difícil dizer) vermelhidão.
Respondeu ‘oi...’, e a noite foi boa como a muito tempo não era.
[estou voltando... enfim...
e, soh pra constar: odeio não ter tempo.
vou botar um monte de coisa em dia - eu mesmo , principalmente - antes do final da semana :)]
quinta-feira, julho 06, 2006
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _
nao precisa ser nada engraçado nem precisa assinar, não...
basta dizer qualquer coisa boa.
(ou quantas quiser)
segunda-feira, julho 03, 2006
- Essa música não... essa é tão triste...
- De que importa? Não é um baile de máscaras?
- Mas eu vim sem máscara. Essa cara branca e essa lágrima tatuada, eu nasci com elas.
- Então quando parar a música a gente dança.
- E o resto do tempo?
- O que tem o tempo?
- Você não vai t...
- ...
- O que foi? Está rindo de que?
- É que essa mancha no teu rosto sai com o vento. E você nem notou.
domingo, junho 25, 2006
disfarce
não, eu não estou triste.
eu fui suado abrir o congelador
e fiquei com a cara torta.
eu juro.
quinta-feira, junho 15, 2006
leveza
- Espera... Toma outra dose, pega esse violão de volta e pára de olhar o céu!
- Mas eh que... [3 acordes] eh verdade...
[pshiummmm.... pshiummm... pshium...]
Três estrelas cadentes acertaram um castelo de areia e quebraram a vidraça.
- Alguém ouviu alguma coisa?
- Não... (em coro)
Porque é bom não ligar pro céu.
segunda-feira, junho 05, 2006
sábado, junho 03, 2006
anatomia
os pulmões ficam no tórax
o coração, no lado esquerdo do peito;
o intestino, no abdómen
Mas, a alma, onde fica?
segunda-feira, maio 29, 2006
avesso
mas ninguém percebe.
Todos são meio estranhos.
Essa noite vai chover
mas ninguém armou uma rede na varanda.
Essa noite vai ser mais vazia.
Às vezes um domingo faz falta
mas nunca aos domingos.
E eu, que não entendo essas coisas, eu sou o louco?
E eu, eu que não decidi nada disso, eu sou o avesso?
Não pergunto mais.
Não adianta, não vou entender.
Mas, se não é sobre os porquês,
sobre o que é, então?
Não. Não responda.
Só perguntei de estranho que sou.
quinta-feira, maio 25, 2006
42
E ainda tem quem ache a vida complicada.
E ainda tem quem se pergunte 'do mistério das coisas'...
Bobagem. Tudo mesmo é só um 'Pá' e 'Pou'.
Um 'Pá' no estomago e um 'Pou' na nuca.
segunda-feira, maio 22, 2006
perfeição

e deixa a toalha jogada pelo chão
e fala querendo ser a senhora da razão. sempre.
e me faz comer sushi sempre que quer comer também
e reclama quando eu faço desenhos de catchup no sanduíche
mas você sorri desse jeito, assim, meio de lado
e eu sei que estou perdido...
[depois de 10 anos sem postar nada...
se eu continuar assim, sem tempo, juro que
pulo da 1a ponte que encontrar. (tomara que
tenha um iate com alguma festa particular
passando embaixo) ]
segunda-feira, maio 08, 2006
sobre estrelas cadentes...
de onde, quando o céu estava limpo,
se via o céu melhor que de qualquer outro canto.
E quando o céu estava limpo,
logo no começo da noite,
havia um homem deitado no brinquedo
pensando qualquer coisa - ou coisa nenhuma.
Os pés descalços apoiados na grama,
o corpo suspenso como não tivesse peso,
a cabeça leve como não tivesse idéia
e os olhos perdidos como não buscasse nada.
Um pouco mais em cima
um menino deitado cabeça-com-cabeça
- como não tivesse grama ou pé descalço -
e pés pro alto sentindo as estrelas fazendo cócegas
[sim, porque estrelas fazem cócegas
quando os pés ainda são macios
e as costas ainda são leves]
pensando em outras coisa-nenhumas.
-Ali! Viu?
-Onde?
-Bem ali! Acabou de passar! Bem entre as três marias!
-Aquelas três marias, ou outras três marias?
O menino perguntava apontando pra qualquer canto bem longe de Órion,
o pai olhava pra cima
e sorria.
------
[essa semana foi aniversário do homem do escorregador :) ]
domingo, abril 30, 2006
tédio...
não vou estudar pra prova
acabar nenhum trabalho
modelar o sistema que está atrasado
nem arrumar o guarda-roupas que parece um ropeiro.
Hoje eu não quero fazer nada.
Domingo não passa nada bom na tv.
Eu estou sem saco pra telefone.
Essa chuva toda deixou o meu piano inchado.
Eu acho que enjoei dos meus cds.
Lembrei que ainda estava com os filmes da Mariana
e passei a tarde vendo a Amelie Poulain.
A Mariana, de um jeito ou de outro,
sempre acaba me salvando do tédio.
segunda-feira, abril 17, 2006
Segunda-feira
meio preguiçoso...
Só levantou porque o galo chegou
na porta do quarto dele fazendo barulho.
sexta-feira, abril 14, 2006
sábado, abril 08, 2006
^t^
Passam o tempo tomando banho de chuva
e mesmo assim parecem sempre tão tristes...
quinta-feira, março 30, 2006
algumas vezes perguntas sao dificeis demais...
- Mas por que você está assim? Medo?
- Claro que não...
Não era medo. Não podia ser medo. Passo horas revirando meus medos e não chego ao motivo.
Eu tenho medo da solidão. Por isso odeio domingos. Por isso não tenho casa e acabo sempre a noite só.Não, não funciona sempre, mas eu finjo que funciona.
Eu tenho medo de crescer, de não poder brincar de quem-tem-a-careta-mais-feia, de ficar velho, fraco, ranzinza, sério, e só chorar quando ninguém estiver olhando.
Eu tenho medo de ser adolescente de vez em quando, sabe... Tenho medo quando minha mão treme, e tenho certeza de que sou a criatura mais ridícula - porque a minha mão treme. E quando a minha mão treme eu tenho medo que a música acabe de repente, na hora que ela disser 'Não!'.
Eu tenho medo de misturar errado as cores em tinta guache e criar uma meleca cinza que não cabe no meu quadro azul. (Eu queria comprar tinta cinza pra separar em todas as cores que eu já perdi!)
Eu tenho medo de um dia ficar careca e usar perucas. Na verdade, penso que as perucas e os CDs de forró deviam ser proibidos! Eu tenho medo de ganhar CDs de forró no natal.
Eu tenho medo de não dormir, de acordar, de não acordar, dos monstros do armário, de ter que arrumar o armário, de perder minhas coisas e de não saber jogar nada fora. . .
Não. Não pode ser medo.
terça-feira, março 21, 2006
6hs
não adianta mais tentar dormir.
Acende os olhos, fecha a luz,
veste qualquer sorriso e sai.
Junta tuas coisas, tranca a porta,
troca essa cara suja e vai.
Tudo bem, nada demais...
Homem não chora,
homem nunca chora.
Vai ver o mar
cata conchas enquanto ainda há sol
constrói castelos de areia
e se esconde em algum calabouço
para sempre: até a próxima onda.
tudo bem, nada demais...
homens sabem surfar
ondas são diversão.
castelos não caem tão fácil.
mas me diz... eu não entendo...
por que essa música não te sai da cabeça?
e por que tuas mãos parecem pequenas demais agora?
e por que teu rosto está molhado?
e por que não chove há dias?
ouve... já é manhã
não adianta mais tentar dormir
a próxima noite vai ser mais fácil
você tem um dia inteiro pra esquecer essa mulher.
[e sabe aquela coisa que você não consegue esquecer?
pois é... esqueça.]
segunda-feira, março 13, 2006
sobre as semanas e sobre os anos...
Até onde eu posso enxergar
será sempre sábado.
Eu preciso dormir
e eu preciso de um calendário
e eu preciso de meias novas
(hoje vou sair de casa e comprar outro cd).
Essa noite eu vou sair pela noite
e beber três porres seguidos
e dormir bêbado em alguma calçada
e acordar amanha três horas da tarde.
Tudo bem, amanhã não tem missa.
amanhã ainda é sábado.
sexta-feira, março 03, 2006
pelos ecos...

há fantasmas no meu quarto
há monstros embaixo da cama
não, eu não posso dormir.
Vou cobrir meus pés,
ligar a TV, ligar p´ra alguém,
abrir a janela, ver sombras no vento
esperar a noite...
e passar.
Eu tenho medo, mas não posso correr
há fantasmas no passado
há monstros em cima da cama
não, eu não posso correr.
Vou calçar meus pés,
mudar de canal, abraçar alguém
pular a janela, me jogar ao vento
cortar a noite...
e passar.
Eu tenho isso... mas nao posso dizer
há fantasmas nas minhas costas
há montros em meu olhares
não, eu não posso dizer.
Vou esquecer meus pés,
andar pela rua, morrer por alguém,
trancar a janela, passar feito o vento
voltar p´ra noite.
só passar.
[algumas vezes pesadelos são ecos de sonhos antigos ]
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
das tendas...

Essa semana eu fui a um circo
e conheci um palhaço de verdade.
Um bêbado de pernas inconstantes
que parece engraçado
porque suas roupas frouxas
permitem que ele seja ridículo
sem ser realmente ridículo;
e que parece leve
porque sua máscara pintada
permite que ele seja feliz
sem ser realmente feliz
Os palhaços devem ser protegidos pelos deuses
muito mais que os malabaristas,
que fingem que voam
muito mais que os mágicos,
que fingem que são deuses
muito mais que as crianças,
que não fingem nada!
palhaços têm isso de não precisar fingir nunca
porque todos acham que é mentira sempre.
Os palhaços devem ser odiados pelos deuses
muito mais que os malabaristas,
que sabem como é voar por instantes
muito mais que os mágicos,
que sabem como é ser deus por instantes
muito mais que as crianças
que não precisam saber nada.
Palhaços vivem a dois passos da verdade
mas têm que fingir, além do rosto, a alma.
[um dia eu queria deixar de fazer graça e ser dono de circo...]
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
qualquer coisa sobre chuva, sábado e batata frita.

[explicando por que eu estava há tanto tempo longe disso aqui...
e por que eu estava há tanto tempo longe de mim...]
Eu vi um sorriso cair
e se quebrar no chão.
Não era meu, o sorriso,
mas eu fiquei triste
porque eu queria que fosse.
Eu sei que eu devia estar feliz.
Eu juro que queria estar feliz
Mas as vezes eu acho isso complicado demais.
[é +- isso...]
--------------
Não sei... eu quero, mas não sei por que...
nem sei o que, nem sei como.
eu procuro um nome pra escrever em giz de cera
e quero um rosto com mil caras diferentes
e quero um sorriso por segundo
e quero 5 horas por segundo
[mas quando eu estou só,
não quero hora nenhuma.]
Eu quero uma porção de batatas fritas
e quero poder rir só porque as batatas fritas são batatas fritas.
Eu quero uma chuva fina a noite inteira
e quero sentir um frio imenso nos pés
e ter dúzias de lençóis na minha cama.
Mas, por enquanto, chove forte
e eu ainda estou deitado a grama
procurando num pedaço do céu sem nuvens
um pedaço do chão sem chuva.
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
conversa...
porque o . . .
Ah, você me entende, né?
Você sempre me entende...'
(as vezes acho que eu sou meio gago de pensamento...)
outra noite...

porque não consigo fazer qualquer coisa....
É madrugada, agora
e essa maldita torneira não pára de pingar.
[preciso urgentemente de tampões de ouvido
e de um travesseiro novo
e de um inseticida
e de uma janela longe da lua]
E o vizinho faz silêncio demais
[Quem vai me distrair
dessas idéias...
dessas perguntas...
que não param de pingar na minha cabeça]
'Por que... Por que... Por que...'
A água não responde.
As perguntas vêm de parede em parede
de sussurro em sussurro
ser minhas e ecoam só dentro de mim.
Dentro de mim...
Eu... ?
Logo eu, que nunca coube mesmo dentro de mim;
eu, que sigo me equilibrando
em um par de pernas tontas de homem
e um punhado de idéias tortas de menino.
Quem são esses fantasmas no meu quarto?
[Preciso também cobrir meus pés...]
Não, não estou confuso.
Não, não estou com medo.
Não, não sei...
Pensei hoje...
acho que isso de viver não é sobre voar,
é sobre cair na hora certa...
domingo, janeiro 29, 2006
só pra constar...
Alguém alguma vez já parou p'ra pensar
que mesmo os cachorros de rua,
desses que ficam nas calçadas das padarias
vendo um frango rodar na máquina de assar frangos,
podem ter noites maravilhosas?
eu nunca tinha percebido...
sexta-feira, janeiro 27, 2006
Necessidades...

Passei a manhã inteira desenhando
mas isso não me fez menos só.
Acho que não acredito mais em desenhos.
Preciso fechar algumas cortinas.
Eu já não acredito em tanta coisa,
acreditar não é tão simples
e eu não sou mais tão leve.
Preciso parar de ver coisas
de sentir coisas
de quebrar coisas
preciso parar.
Preciso de um sorriso enquanto ainda acredito neles.
quarta-feira, janeiro 18, 2006
sobre as marcas...
Sabe aquelas horas em que você está realmente concentrado durante a aula? Pois é... Hoje eu estava assim e comecei a olhar p´ro chão.
O chão da sala, que é novo, já está todo marcado. Juro que não entendi. Olhei para cima e não encontrei nenhuma marca no teto. Ora, eu, ao menos, garanto que passo muito mais tempo no teto que no chão, na aula de FBD! (Mas quem vai entender dessas coisas de deixar marcas, né?)
A parede também está marcada. Manchada. Bem atrás do quadro negro. Não vejo, mas sei que ali há marcas. A parede esconde tudo lá porque de manhã, antes das aulas, as meninas desenham coisas boas no quadro e ela gosta de fingir que os desenhos substituem suas cicatrizes.
Hoje eu risquei dois olhos e uma boca no canto da parede. Assim ela vai poder sorrir de vez em quando.
(acho que estou gostando dessa coisa de escrever pra ninguém saber o que eu quero dizer..)
sábado, janeiro 14, 2006
motivo...

'Porque ela passa assim toda noite
e porque isso de passar é só dela.
E porque a noite, com inveja, não quer mais passar.
Porque ela passa assim
como uma voz que ecoa
um 'espera, fica aqui...' ao pé do ouvido
e diz e sai correndo...
Porque meus olhos roucos
levam noites pensando como dizer
coisas que a façam parar
mas eles não conseguem,
porque olhos falam, não pensam.
Porque o outono era feliz até ela passar
mas hoje, quando ela se vai,
As folhas inocentes se jogam dos galhos
porque em outra vida queriam ser flores.'
[tem coisas que não têm mesmo porquê
mas mesmo assim vem sempre alguem e pergunta...]
quinta-feira, janeiro 12, 2006
agora
mas em quantas linhas se resume a tristeza?
Ontem eu fui à praia
e ela não era tão bonita quanto eu lembrava.
quarta-feira, janeiro 11, 2006
imersão...

Portas nunca deixam muitas escolhas...
Você entra. É uma sala estranha.
Que cores têm as paredes?
e por que você pisa nas paredes?
os quadros, todos no chão, têm telas rasgadas
e marcas de pés.
Ninguém ali nunca pisou no chão.
Um menino à frente
brinca de imitar tudo o que uma sombra traquina faz
(crianças são assim:
bem mais livres que nós
que temos que decidir tudo pelas sombras)
Mas a sombra não toca as paredes,
Se equilibra entre as palavras do garoto.
Um cheiro doce toma a sala
um cheiro antigo e suave...
Vem de um pôr-do-sol sobre a mesa de canto
porque é outono.
Há um espelho ao lado da porta.
Você corre para o outro lado
e, no outro lado, o avesso de um fantasma
com o seu rosto e nenhuma voz.
Há uma lareira no espelho
mas não há fogo.
Fantasmas são frios.
Uma voz te pergunta
‘O que é isso em teu bolso?’
e você, nu, não responde.
A voz insiste
‘o que é isso em teu bolso?’
mas o que é mesmo isso em teu bolso?
Você tem 7 crimes e 7 motivos.
Você é perdoado 7 vezes do outro lado do espelho
mas é apenas o outro lado do espelho
e um perdão é menor que um motivo.
Que cores têm as paredes?
e porque você pisa nas paredes?
Você tem agora duas escolhas:
Azul ou Macaco.
E nada é tão obvio agora.
E nada é tão obvio agora.
Sua sombra te convida a uma escolha
-cuidado, diz a voz, sombras não enxergam cores!
Mas você sabe que sombras ouvem cores
melhor que você jamais sonhará ouvir.
E as cores todas soam mais tristes que qualquer blues.
Você se junta àquela criança.
Há palavras soltas na sua mão
Quem escreveu na sua mão?
E por que as folhas todas estão em branco?
Que segredos elas guardam?
(o que restou do outono?)
Você ainda não tem nenhuma pergunta
E há respostas abrindo as janelas
mas você simplesmente não as entende
nada é tão obvio agora.
e nada é tão obvio agora
que a sala entrou em você.
[não sei com você, mas comigo acontece sempre...]
terça-feira, janeiro 03, 2006
Sobre os sonhos e sobre acordar...

e sonhou por uns quatro anos
até que um dia alguém deixou cair
qualquer coisa boa ao lado da sua cama
e me parece que coisas boas quebram facilmente.
ele acordou com um susto.
(como se fosse, ao invés de acordar,
sonhar dentro do sonho.)
P´ra onde ele olha?
Aquela esquina de sempre,
que esquina é aquela?
e os carros e as casas
e os rostos em preto e branco
que gente é aquela?
ele não sabe...
e se a esquina adiante
não lhe parecesse tão distante agora
talvez fosse até lá tomar dois litros de ovomaltine
e cair bêbado em qualquer outra esquina em preto e branco
(que cores o condenariam agora?
a que dores o condenariam agora?)
Por um momento ele queria ser feito
daquilo que são feitos os sonhos
e por um momento ele queria
não ser feito de nada.
Até os sonhos terminam alguma hora.
e o que vem depois dos sonhos?
Fica a gente, ficam os travesseiros,
fica o tempo e fica o vazio a preencher o tempo.
Depois, passa também o tempo
e, com sorte, passa também o vazio.
ele senta-se a uma mesa e espera.
e sentará ali por dias intermináveis
até que venham o cansaço e o sono
a convidar o travesseiro.
Sim, ele sonhará novamente
e não importa o que aconteça
vai aprender a sorrir outra vez..
por algum motivo,
qualquer coisa entre Morfeu, Eros e Tanato
não nos deixa em paz...
quinta-feira, dezembro 29, 2005
AHHHH!!!!!!

Cansei! cansei disso.
Isso que me sopra a nuca quando vem a noite;
Isso que me toca suave a ponta dos dedos
e que eu não posso tocar...
Chega!
estou a muito tempo procurando
qualquer coisa que não se desfaça ao primeiro toque...
Sim, as coisas não devem ser tocadas,
mas e daí?! que graça têm, então?!
que se toquem as coisas, e se quebrem, e se atirem todas contra a parede
que explodam todos os relicários, e que explodam também as paredes!
que restem soh portas e janelas que se pulem todas as noites
para que as coisas - e as pessoas - sejam tocadas.
minha vida está de pernas p´ro ar
e meio sem pernas, também...
mas de algum jeito, eu passo por tudo isso correndo.
de repente me vi condenado.
eu era inocente
e não há crime maior que a inocência.
eu quero agora ter culpas,
Livros cheios de culpas
com índice e bibliografias repletas
de todas as culpas dos homens!
não, eu não ligo mais
(ou ligo e finjo que nao ligo...?)
acho que nada mais pode machucar
quando não se há um porque machucar.
O que eh uma mágoa se nada incomoda, agora?
Não, eu não quero ligar p´ra mais nada
Explodam-se novamente todas as coisas!
ontem eu joguei um limao na água
mas nao esperei pra ver que som fazia...
sim, eu estou cheio de raiva hoje
não, não sei porque.
quinta-feira, dezembro 22, 2005
caramba, já eh natal...
Esse ano eu não vou dar presentes.
Ao invéz disso, vou mandar umas cem cartas.
Ninguém responde cartas de natal.
Minha amiga quer ser o papai noel...
Imagina que loucura?!
Aposto que papai noel daria tudo pra ser ela.
Imagine como eh passar centenas de natais longe de casa!
é certo que papai noel eh um homem triste.
O natal me lembra solidão.
Solidão e infância, na verdade.
Mas alguma infancia só
de alguma criança a quem foi negado um sorriso
e a quem as fadas vêm todas as noites
contar histórias de crianças felizes
que sonham um dia conhecer minha amiga.
O natal deixa a gente mais só quando se está só.
As renas do papai noel não devem ser sós.
Nem os presentes - que ganham crianças todos os natais,
Nem as luzes dos jardins - que passam as noites conversando com as estelas.
Acho que soh eu e o velhinho que sofremos disso.
quando eu crescer eu quero ser um elfo.
quinta-feira, dezembro 08, 2005
cada uma...

sei nao... mas acontece cada coisa estranha comigo...
Coisa estranha... você acredita em magia?
pois eu posso jurar que acabou de entrar pela janela uma fada!
sim, dessas com asinhas, varinhas de condão e tudo mais...
passou por entre as frestas das venesianas enquanto ninguém olhava
e aconchegou-se no canto do armário, num livro da cecília meireles.
Daí, quando eu já ia dormir, aquele brilho leve me chamou atenção.
-Quem eh você, que carrega o peso dessas asas enormes e ainda eh capaz de brilhar assim como quem sorri, e de sorrir assim... como quem dança?
-Quem eu sou? Não sei... nunca me fizeram essa pergunta antes... nem nunca me responderam. Acho que eu sou isso... duas asas bem grandes, um brilho, um sorriso e uma menina pendurada nisso tudo. Não sei... minha natureza não são perguntas nem respostas... eu não sou lógica, sou mágica!
-E por que você está aqui?
-Não sei... por que você está aqui?
-Ora, eu moro aqui!
-Ah, então deve ser por isso que a gente está aqui! Eu vim falar com você.
-[nao falei nada... soh fiz cara de interrogação]
-Isso! falar com você. Eu quero que você pense em três desejos e me diga.
-Bem... se eh assim... eu quero...
eu quero ser uma formiga!
eu quero morar num formigueiro
e me empanturrar de coisas doces o dia todo
e passar o tempo andando pelo jardim
e dormir sempre com aquele cheiro de terra molhada
e ir aonde eu quiser
e entrar em qualquer lugar sem ninguém me ver
e ninguém me ver
até eu morder quem eu quiser.
mas ai, quando essa pessoa me notar vai me esmagar de raiva
e vai ficar tudo como está agora.
espera... acho que nao...
eu quero ser uma música!
mas uma bem simples...
alguma coisa em lá menor!
perfeito! nenhuma tecla preta,
nenhum contra tempo, e nenhum acidente
e eu quero correr por 7 oitavas
e eu quero no bem finzinho
quando vier aquela vontade de chorar
mudar de tom e virar um blues.
e quero também um copo de um scotch sobre o piano
e, se der, quero também ser o pianista
mas de um jeito ou de outro eu ia chorar no final da música...
não, ainda não está bom...
eu queria... eu queria voar!
e ver tudo do alto!
e ter asas enormes, ou ser só asas!
e não precisar de motivos pra sorrir sempre
e entrar nas casas pelas venesianas
e sumir quando bem entendesse!
e não ter perguntas, e não precisar de perguntas!
e nem querer repostas!
mas ai eu acho que eu ia ser só...
não... acho que talvez esteja bom assim, como está.
Ter tudo isso de vez enquando
e não ter nada disso no resto do tempo
-Então eu acho que vou indo, já acabei por aqui.
-Espera! Eu posso pedir o de sempre! Dinheiro, poder, tempo... você vai sair sem realizar nada?
-Realizar? Quem falou em realizar?! eu sou uma fada, não um gênio!... eu soh precisava fazer você pensar um pouco...
E ela foi embora pela chaminé.
quinta-feira, dezembro 01, 2005
rotina...
Ele acorda cedo, senta à beira da cama,
espera a manhã chegar e ela chega.
É sábado, ele tem essa magia de ser sempre sábado.
Lava o rosto e procura uma ruga nova no espelho
Come qualquer coisa de ontem na geladeira
e sai pela cidade sussurrando um blues improvisado.
Ele tem 27, agora.
Tem seu carro, seu emprego
e vive a 60 sonetos por segundo
Seus olhos rimam
e suas mulheres marcam o ritmo de cada verso.
A rua sorri e ele simplesmente não pode não responder.
existe qualquer coisa de íntimo
nessa estranhesa dos dois...
A tarde vai passando lenta...
Louco, nostálgico, apaixonado
- como tudo isso, e como nada disso, mesmo -
faz músicas para todas as mulheres que nunca teve.
Enquanto ainda houver algum vermelho no céu da tarde
Enquanto ainda houver algum violão na voz da tarde
ele fará musica.
A noite rápida chega com seus desejos.
Ele tem aquele olhar,
e aquela voz, e aquele jeito,
e aquele sorriso meio triste que as mulheres todas adoram.
Pára na noite, espera olhares perfeitos
e escolhe entre eles o mais vazio.
Aprendeu com outros sábados que
algumas palavras - as mais importantes - não são ditas:
são beijadas.
acaba, assim, a noite recitando grandes odes fantásticas.
Minutos depois, vem o sol
despertando-o da noite que ele não dormiu.
A aguda dor de cabeça o faz lembrar dos olhos da noite passada.
Então, triste, se põe outro dia a procurar novas rugas
Porque ele já tem 27
e ninguém com quem construir um domingo
ele tem essa maldição de ser sempre sábado...
acho que deu +- pra entender, neh?
num vou mais falar do calendário por hj...
terça-feira, novembro 22, 2005
por enquanto...

não esperem entender qualquer coisa...
se der pra entender o que eu quiz dizer, eu não devia ter postado
tenho andado distante...
não que eu não tenha pensado ou escrito nada, eu tenho.
mas eu sinto... e penso... e rasgo tudo o que penso.
na verdade, essa semana eu fiz um travesseiro de papel rasgado.
hoje eu queria gritar - não como antes, apenas gritar.
Espero a noite e sussuro!
Palavras que acabei de inventar
e que não querem dizer nada,
ou querem, mas simplesmente não dizem.
Isso! vou continuar gritando,
mas agora baixinho, pra ninguém ouvir,
até que, quem precisa ouvir, ouça.
Sim, vou continuar.
Sussurrando nomes em vozes e línguas diferentes
esperando respostas em línguas que eu também não conheço
mas vindas de vozes que façam algum sentido.
Isso! vou dizer qualquer coisa,
esconder que agora eu tenho 15 anos, de novo
e que me deu de repente um frio na barriga,
uma vertigem, ou o avesso da vertigem que eu já tinha.
Mas vou dizer e, depois,
rasgar minha voz antes que alguém leia.
qualquer dia desses eu explico o que isso quer dizer...
terça-feira, novembro 08, 2005
no desconforto de de vez em quando...

Sabe quando você sabe que as coisas todas (principalmente as intangiveis) estão fora de lugar? poiseh... :/
Eu devia estar correndo
conhecer um caminho
ir pra casa
ao menos saber pra onde ir
eu devia procurar
eu devia esquecer...
devia enlouquecer!
deixar alguém louco;
dizer que... falar qualquer coisa;
GRITAR!!!!
eu devia perder a voz...
sorrir por dentro
ou fingir um sorriso
eu devia fingir
e devia fugir
eu devia cortar meus pulsos
ou devia nem ter pulsos!
e devia nem sei o que;
e devia nem ter asas;
e devia nem querer voar.
mas eu quero.
Tenho que aprender a ser menos teimoso. Principalmente comigo mesmo.
terça-feira, novembro 01, 2005
vazio

Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa'
(eh do cazuza e do lobão, eu acho...)
Não sei, mas estou me sentindo meio vazio...
é dificil passar muito tempo de pé.
acho que vou me encher de areia. Urgentemente.
ou cair, mesmo.
A chuva cai na noite
a noite cai no chão
e ainda está todo mundo ai
ou ninguém está nem ai... ainda não vi bem a diferença.
eu definitivamente preciso de mais sabados
e menos domingos.
não sei... não sei de muita coisa agora.
estou vazio.
só não sei de que.
(Eu tinha outra coisa pra postar, outro jeito de dizer isso,
mas estou com preguiça de buscar meu caderno...)
terça-feira, outubro 18, 2005
Entrei em acordo com os sábados: eles são legais comigo e eu sou legal com eles
ninguém se importa com a lua em luais :)
Um punhado de bons amigos mudos
outro tanto de vozes completamente desconhecidas
uma fogueira(?), um mar e um violão...
[-ou uma bateria, um baixo e duas guitarras,
dependendo da boa vontade da Mr. Jingles]
Perfeito. e quem se importa com a carne?
Que venham as laranjas!
As laranjas e a goiaba e o limão e o açucar e o gelo!
Se não tivesse tanto álcool eu jurava que era café da manha na casa da vovó.
E sabe aquele post lá embaixo? poisé...
com ajuda de bêbados ilustres, descobri um jogo novo:
se eu girar mais que minha cabeça ela não me alcança!
funciona por algum tempo
até que a gente gira, gira, gira
e cai.
Com as costas na grama e olhando pro céu.
páro e penso
eu não preciso de tantas estrelas.
[malditas nuvens covardes...
descobri a função da lua nos luais
na falta das nuvens
elas nos distraem das estrelas.]
Daí, quando a gente já vai se entregando a lembrar das estrelas
chega um daqueles amigos-mudos
e, gostando da brincadeira de cair no chão,
cai com o cotuvelo no nosso estômago
e nos convida pra outra dose.
quinta-feira, outubro 06, 2005
........
mas se ficar, que tenha um guardanapo e uma caneta a mão...
A noite me fala por línguas estranhas.
Paro e me ouço...
Um eco sem um som.
de quem eh essa voz?
me fiz incompleto e impotente.
pego emprestada uma voz qualquer
E grito! - ou penso gritar,
mas soh uma sombra sarcástica me ouve.
Grito um grito errado,
desses que espantam as coisas boas
e atraem as más.
Talvez eu devesse correr.
Correr muito. Correr rápido.
Mas, correr?
eu sento à mesa de um bar e espero.
enquanto houver música, espero.
(talvez o eco suma...)
Uma melodia amarga, um whisky melancólico e um homem dissonante.
Não quero acabar a noite mais feliz.
(sei que a felicidade eh a mais cruel tristeza
porque nunca vai além de cinco minutos)
Não, não busco a felicidade.
Esquecer deve bastar.
Isso! esquecer tudo por esta noite
e esquecer essa noite amanhã pela manhã.
Por hora, no entanto, só me concentro no que estiver ao alcance da mesa.
Grave: Ainda estou cheio e o copo já está vazio.
A música?! Onde está a música da noite passada?
A música, e as danças
e as cores, e as mulheres
O que se fez da noite passada?
Passou.
Mulheres levam as noites embora
e deixam lembranças em branco e preto a nos atormentar.
Convencido, levanto os olhos
e apago o meio cigarro que me resta.
Não vou amar mais nada.
(de quem eh essa maldita voz?!)
O bar atrás do espelho ao fim do bar
é animado, estranho, vário.
a música parece boa.
Alheio, ao fundo, um homem.
É fraco, de olhos inconfundivelmente velhos
-muito mais velhos que o resto do corpo.
Levanto , ele levanta
dou um passo para trás, ele também o dá
viro as costas para o outro bar
e um turbilhão de xingamentos ternos me chama de volta à mesa
erguendo seus copos
e propondo um novo brinde.
(acabaram de estragar uma noite inteira de conclusões.)
sábado, outubro 01, 2005
(meio 'A. de Campos', mesmo)
Eu nem devia postar nada hoje... jurei pra mim mesmo que não ia postar mais nada de madrugada, nunca sai nada de bom, mas...
Acho que hoje a apatia tomou conta de mim, então, que mau haveria num post apático? Melhor que a melancolia de costume....
Coisas estranhas têm acontecido comigo... Tenho me apegado demais às coisas(idéias, setimentos, sensações) erradas, ou inadequadas pelomenos... (ateh pouco tempo eu nem sabia que sentimentos e sensações podiam ser inadequados...)
Eu estou, aliás, me proibindo de piscar os olhos. Fechá-los - mesmo por um instante - pode ser perigoso demais.
Os sonhos não são bons. Ouçam, sonhos são para os fracos.
Não sonhem, sob hipótese alguma.
Não sonhem, nem planejem, nem lembrem - principalmente, não lembrem!
Carpe Diem, pessoas. Nada além do agora.
Fora disso corre-se o risco de se encontrar coisas terriveis. Você, por exemplo, ou partes disso.
Então, por favor, não sonhem.
Aliás, não sei se estou inerte como eu pensava, ou como eu queria. De qualquer forma, se alguem me encontrar na rua, por favor, diga um 'oi' qualquer, mas um 'oi' reinventado hoje. Qualquer ´oi´antigo será, pior que inútil, uma lembrança.
ps.: A Bohemia do capitão mostarda definitivamente não contribui para a alegria de qualquer blog...
domingo, setembro 25, 2005
ainda...
e nem passa tão rápido, também... :/
Tenho pensado mais que existido
-Existir, as vezes, dói.
Sento e espero que o passado chegue
me alcançando, talvez eu exista novamente...
Mas, agora? Assim?
Não, não quero existir.
Inerte, me basta haver.
e esperar...
Até que o desejo vire só mais uma vontade
Até que a vontade vire uma lembrança boa
e até que a lembrança - também ela
caia esquecida.
E esperar
nunca mais tropeçar nas coisas deixadas ao chão.
---
tudo bem, ninguém deve estar entendendo nada... eu nem devia postar coisas de madrugada mesmo - Alguém pode achar que eu sou muito pra baixo... :P
quarta-feira, setembro 21, 2005
não sei...
pensamentos andando em círculos.
a minha cabeça gira
e eu estou tonto
e eu estou cheio
e eu estou fraco
e sei que, se ela parar,
eu caio.
[As vezes acho que não preciso de pensamentos:
conclusões seriam mais doces
mas eu tenho medo de conclusões]
Então, por enquanto, eu sigo em frente
evitando o chão e esquecendo minha vertigem.
---
eu não devia pensar tanto... qualquer dia desses eu posso chegar a uma conclusão
terça-feira, setembro 20, 2005
O que é isso?
-->Declaro esse blog oficialmente aberto. (olha! essa coisa aceita tags html!)